Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Em homenagem à minha aluna: " Desisti de desistir"

Hoje eu tirei o dia para mim, resolvi ligar o computador depois das 16 h, e evitar pensar na minha mais esperada, e ultimamente melhor companheira, de período integral, para ser mais exata, dissertação.
Enquanto uma mulher leva nove meses para gerar e expelir uma criança, eu ando gerando minha querida amiga há mais dois anos, e sob dezenas de telefonemas com tons pseud0-não ameaçadores, da minha querida coordenadora, tento resistir a idéia de enlouquecer um pouquinho, como um alcoolatra tenta resistir ao primeiro copo, afinal, a minha sanidade é o único remédio para que minha dissertação deixe de ser uma idéia e vire GENTE.
Decidi que não ia entrar em contato com ela, né? Mas não paro de falar nela, pareço até uma mulher apaixonada, daquelas que nenhuma das amigas quer falar mais, porque não aguenta, mais ouvir o fulano é isso, o fulano fez isso, ahhh, isso me lembra o fulano. No meu caso: a minha dissertação é isso, aquilo e aquilo outro, eu fiz isso na minha dissertação, ahh, isso me lembra a minha dissertação. Esse monólogo repetitivo fez com que eu me afastasse das pessoas, das notícias, de quase tudo, ou seja, estamos realmente falando de um vício, não daqueles que a gente simplesmente tem vontade, mas aqueles que a gente sente necessidade. Engraçado, lendo o que eu acabo de escrever, me dou conta que não é um exagero, é um vício mesmo, estou com papo de mulher viciada.
Pra vocês verem, resolvi sentar e escrever sobre a falta que eu ando sentido das minhas amigas, inclusive as amigas do menáge, e introduzi com a minha dissertação, minha amiga companheira, de período integral. Então, eu ando sentindo falta das minhas amigas, dos meus amigos, daqueles que estão tão longe, e daqueles que estão perto, sinto falta de falar bobagem, e de falar da minha dissertação com alguém. Sei que é uma solidão necessária, mas convenhamos solidão também tem prazo e minha vida ta mudando, eu não tenho com quem contar.

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Como uma boa introdução


Como uma boa pesquisadora com TPM, decidi buscar nos armários da cozinha, no freezer e na geladeira, uma bela introdução para a minha mais nova produção. Entre ovos, enlatados e verduras variadas, passaram pela minha cabeça: É sabido que...; Sabendo-se que...; Os comerciais... Nenhuma delas me convenceu.

Acho que uma das minhas maiores frustrações é não saber de cara qual introdução cabe na minha idéia brilhante, geralmente elas são muito pequenas, irrisórias à grandiosidade da minha capacidade intelectual, mas por incrível que pareça sempre me apego a elas, sempre passo por elas, como um caminho que a gente costuma fazer por hábito, sem tanta curiosidade para desbravar outros, que possivelmente caberiam perfeitamente no corpo do trabalho, como aquela calça jeans. Aliás, faz tempo que eu não visto aquela calça jeans!!! Será que isso tem alguma coisa a ver com a minha idéia perfeita, que não tem uma única introdução à sua altura??? Infelizmente, se continuar com essa tendência, terminaremos discutindo sobre a idéia de homem perfeito, aquele que cabe nos nossos sonhos, esse sim seria uma bela introdução.

Nesse meio tempo, achei um pacote de batatas-chips (por algum momento pensei em usar saco, mas vocês poderiam achar que minha conversa acadêmica estaria fálica demais), mas preciso dizer que o verbo certo não seria achar, mas furtar, não usaria roubar porque não coloquei uma arma nas cabeças das minhas sobrinhas, nem lhes ameacei com um garfo, apenas peguei o pacote e subi correndo às escadas, para que elas não se dessem conta das minhas sorrateiras mastigadas nas batatas. Ás vezes eu me pergunto por que tem gente que acha que pode encontrar uma introdução num pacote de batatas, num pote de sorvete, numa caixa de chocolates? Uma explicação científica caberia nesse momento: Ora, estamos sempre introduzindo alguma coisa na boca que atravessará nosso esôfago, chegará ao estômago que enviará substâncias para o nosso cérebro que nos deixará mais felizes, enérgicos, que por conseguinte nos arrumará uma bela introdução, e que certamente diremos “ como eu não pensei nisso antes!!!! “

Até agora comi umas cinco batatas e ainda não experimentei esse efeito, só o da introdução na boca.

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O pacote está acabando...

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Vamos logo, esse texto tem que ter um final feliz, ou melhor uma boa introdução.

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Domingo, 20 de Abril de 2008

O dia em que eu dei a bunda para uma mulher

É ISTO MESMO, MEU AMIGO! EU JÁ DEI A BUNDA PARA UMA MULHER; VOU LHE CONTAR COMO TUDO ACONTECEU:
FAZIA UMA SEMANA QUE EU ESTAVA DE OLHO NA NOVA VISINHAUMA DEUSA DE LONGOS CABELOS RUIVOS, SEIOS FARTOS E UMA BUNDA DE FAZER INVEJA A JULIANA PAES. ERA UMA MULHER TDB: TURBINADA DA BUNDONA.
BEM, CONSEGUI LEVAR ESTA GOSTOSONA PRO ABATE. DEPOIS DE ALGUNS LANCES, ELA ME VEIO COM O PAPO DE “ DEIXA EU COMER A SUA BUNDA?”
CLARO QUE EU NEGUEI, RESISTI BRAVAMENTE, MAS A GATA INSISTIA...
DIZIA QUE EU IA ADORAR...
QUE NÃO ERA DO JEITO QUE EU ESTAVA IMAGINANDO.
SOU IGUAL AO GATO: MORRO POR CAUSA DA MINHA CURIOSIDADE.
DEITEI DE BRUÇOS NA CAMA E A SEM-VERGONHA COMEÇOU A BEIJAR A MINHA BUNDA, ALISANDO AS MÃOS NO MEU CORPO, ALTERNANDO OS BEIJOS COM LAMBIDAS E MORDIDAS... UMAS MAIS LEVES, OUTRAS MAIS OUSADAS.
DEPOIS, ELA COMEÇOU A ESFREGAR OS SEIOS...ROÇANDO...APERTANDO...EU SENTI OS OS BICOS BEM ARREBITADINHOS.
MAS EU ELOUQUECI MESMO QUANDO ELA COMEÇOU A PASSAR A DANADA, APERTANDO COM FORÇA O MEU QUADRIL E INVESTINDO O BICHINHO CONTRA O MEU BUMBUM, ASSIM COMO NÓS HOMENS FAZEMOS.
ELA SUBIA...
DESCIA...
COM A XOXOTA BEM QUENTINHA, BEM MOLHADINHA...
QUANDO EU NÃO AGUENTEI MAIS DE TESÃO, AGARREI A SAFADA E DISSE: “AGORA É A MINHA VEZ!”
É AMIGO, EU JÁ DEI A BUNDA PARA UMA MULHER E CONFESSO QUE GOSTEI.
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Apesar da nossa ausência, recebemos esse texto, novamente Andrea F. decidiu compartilhar conosco a sua imaginação masculina. Beijos a todos, saudades. Em breve, voltaremos.

Quarta-feira, 5 de Março de 2008

A grande DIFERENÇA entre ser e parecer


Outro dia ouvi uma amiga me falar sobre o meu comportamento, não que seja ruim ouvir, é sempre bom, principalmente quando a análise tem um tom bem elogioso, a ponto de deixar a auto-estima alta mesmo.
Ela me disse: Te admiro muito, as pessoas te adoram, você sempre é convidada para as festinhas surpresa, para beber no bar da esquina, para ouvir uma briga de namorado, para apostar numa rifa, todo mundo lembra de você.
Eu olhei para ela, como quem queria ouvir mais, resisti por alguns segundos, tempo suficiente para descobrir que existe uma grande DIFERENÇA entre ser e parecer.

Ela não sabe que eu não tenho turma, que meu namorado habita mais o interior, do que o exterior, o que me torna uma pessoa altamente superficial, pois meu sonho é morar na terra do tio Sam e falar inglês de verdade, ela não sabe que muitos momentos estou tão sozinha que meus pensamentos me incomodam, pois não agüento mais minha voz, aquela que os narra; ela não sabe que eu passo a semana me preparando para atender um telefonema que me faça um convite para andar na praia, ou fazer uma doação. Ela sabe o que deve saber.
A gente constrói cada imagem, que é capaz de nos enganarmos por ela. Acho que é aí que reside um dos maiores conflitos, entre o ser e o parecer.
Entre outros rótulos, dizem que eu sou zem, boa, calma, gentil, amável, incapaz de fazer mal a uma barata. São bons rótulos, tão eficientes que me fazem ser lembrada para cotas de tortas de aniversário, para ajudar uma velhinha atravessar a rua, para escutar um pedido de ajuda e não recusar, para segurar a mão quando se está em pânico, para ajudar a rir da desgraça em vez de chorar.

Eu não discordo deles, eu sou isso mesmo, acredito nessa imagem que construí de um modo que não acreditaria se não fosse meu espelho. Mas e aquilo que eles desconhecem, aquilo que eu guardo, escondo, afasto do convívio. Será que eles percebem e não me falam para não me constranger? Nunca fui de me preocupar muito com o que os outros acham, mas sim com o que eles acreditam ser, o que nem sempre é uma verdade, mas aquilo que lhes convém.
E aquilo que eu não quero ser para eles, escondo subverto em atos tão triviais, tais como a bebida, a comida, o estudo, o sexo, o entretenimento e até o próprio ato de escrever, tento sublimar a dor de ser uma Como ninguém que é igual a todo mundo, fraca, boba, dependente, solitária, egoísta, cheia de defeitos e frustrações.

È possível ser tudo ao mesmo tempo? Ser e parecer?

Imagino que sim, o problema é quando esses dois verbos conflitam em torno de um mesmo pronome.

Depois de ter minha mente sucumbida por uma discussão aquém da filosofia, pedi para ela falar mais, tudo para corroborar minha imagem de nada modesta, é assim que eu prefiro que ela acredite.

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Entre tantos, ele

Tenho um problema sério com o silêncio, ele me consome, parece um ruído que não quer calar.
Ele dá vazão aos meus pensamentos, que confusos, discutem problemas complexos tais como os furos da minha calcinha e os planos que deixei para amanhã.
O silêncio me coage, me abandona em um tempo que não marca passos, mas que deixa rastros profundos, talvez pegadas dos pensamentos que habitam aqui.
Que ironia...
Sempre suspeitei que a idéia de que o pensamento ocupa a cabeça é conversa mole.
Como pode um pensamento ocupar a cabeça, se ele não cabe no meu corpo, nos meus gestos, ações, se ele precisa de palavras para se solidificar e adentrar outros poros, tímpanos, bocas, línguas. Mesmo aquelas que calam e permanecem em silêncio, palco dos pensamentos, produto das emoções.

Sábado, 26 de Janeiro de 2008

Como desisti de casar












Não me julguem sem personalidade, mas conhecem aquela sensação de que você vive, não tem como não soar hiperbólico, uma vida que não é sua e assim, mesmo, continua? Redundante, mas é verdade.



Essa é como muitas das estórias que vocês possam conhecer, com o diferencial que a protagonista sou eu. Pode parecer estranho para vocês, imaginem pra quem me conhece.



E ela começa com a minha incursão no mundo dos apaixonados, aos dezessete anos de idade e, a partir dali, me classifiquei conhecedora de tudo, especialmente, do meu futuro, que consistia, basicamente em faculdade, em seu percurso, noivado, ao término da faculdade, casamento, diploma na parede, filhos e felizes para sempre... Espera aí. Felizes para sempre (?).



Prepotente? A palavra certa é ingênua.



Como todo tolo que pensa ser conhecedor de tudo, me enrosquei no meu emaranhado de ilusões. Até porque, eram minhas ilusões e tinha o detalhe de que havia outra pessoa envolvida no processo.



Sim, eu lhes apresento o outro protagonista. Ele. Lindo, simpático, solícito, um sonho, até nome de príncipe ele tinha. Meu sonho. Ele era um sonho... Yummy. E eu que não enjôo do que é doce... Porém, ele tinha um defeito. Adorava espalhar seu mel em outras vizinhanças. O pecado imperdoável. Uma, duas, três, nem sei quantas e, ainda hoje, nem quero saber. E assim, se passou 7 anos... E todas aquelas projeções futuras, estavam acontecendo, inclusive, o noivado.



Contudo, tudo que é bom, pelo menos para ele, dura pouco, e um dia, simplesmente, para ser mais precisa, há três meses do enlace, acabou. Simplesmente, nada. Foi difícil, mas aconteceu.





Dois fatores contribuíram para esse desfecho:
✗ Não se é masoquista(burra) pra sempre;
✗ O desejo de experimentar e ousar;
✗ E, nada como alguém babando por você para dar um up em sua auto-estima.

Depois disso, queridos, a pseudo-testosterona foi liberada e... Conversa séria, sincera e definitiva. Indolor para mim. Dor em saraivadas para ele. Só me restou compaixão. Nada de ressentimento e, muito menos, arrependimento.



Eu o perdoei por todas as vezes que chorei, incensantemente, por dias e noites; por ter privado minha família, meus amigos e, principalmente, a MIM, de momentos com uma pessoa maravilhosa, divertida e única, EU, que desconhecia, completamente; por todas as oportunidades de vida que não me permiti, para que estivesse sempre um degrau abaixo dele; pelo meu choro, que não por suas traições; por sua comodidade em não me fazer sentir uma pessoa especial; e, principalmente, por não ter valorizado o que eu sentia, pois acredito que não amarei, como eu o amei. Explico. Um sentimento puro, norteado de expectativas boas, exclusivamente. Sem a desconfiança e a retração que a maturidade e a experiência anterior mal-sucedida me trouxeram. Posso até amar mais, mas não daquela maneira. E não me arrependo de ter vivenciado essa estória, pois sabia que era dotada de grande capacidade de seguir em frente, independentemente do que fosse acontecer.



Essa fase de minha vida não me tornou desesperançosa quanto a relacionamentos amorosos e, sim, cautelosa. Quero amar, amar, amar... Me casar, LÓGICO, é um dos meus sonhos mais queridos. Porém, hoje, erro sabendo que estou errando e consertando tudo, me reconstruindo. Tive um segundo amor, que rende vários subcapítulos, que serão relatados posteriormente, nesse enredo único. Uma grande estória com final sem data e muitos personagens, ainda, por vir.

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Prazer, Como Eles



Olá queridos leitores, deixem que me apresente, sou Como Eles. À minha alcunha, cabem duas interpretações:


Adoro os homens, portanto, Como Eles;


E, demonstro minha adoração, os comendo como eles, geralmente, nos comem, ou seja, com toda aquela super dosagem de testosterona que lhes confere a arte de arrancar corações com a mão.

Pra alguns, sou mesmo um terror. Apesar de ser jovem, já tive algumas vítimas, que renderam estórias incríveis. E, costumo me comportar como eles em relacionamentos amorosos. Até quando me apaixono. Venhamos e convenhamos, tem bicho mais burro do que homem apaixonado? Não, nem as mulheres conseguem tanto. Um preço alto que tem que ser pago. E é pago, sempre, á vista e com correções.


E, sendo mulher, acredito que seja mais alto, pois nós possuímos a capacidade de nos degradar físico e psicologicamente em proporções inimagináveis.


As fases de fossa são muitas, acho que vocês conhecem. E quando você é assíduo ao culto a Baco, aí, não tem palco suficiente pra tanto espetáculo.


Mas, como nem todo sofrimento é pra sempre e o instinto fala mais alto alguma hora...


Você, em um momento de lucidez tardio, conveniente, de certo, esquece até o nome do... Quem mesmo? E volta à ativa. E com alguns poderes extras, pra desespero de suas próximas vítimas. Sinceramente, não acho que seja desespero. Enquanto estão se deliciando com a companhia adoram, depois, ficam de nhe-nhe-nhe. E resposta a nhe-nhe-nhe é... Bye-bye.


Não sou cruel. Não me sinto cruel. Apenas, sou dotada de sinceridade extrema, bom senso, charme irresistível e pseudo-dosagem de testosterona, hormônio este que sabemos caracterizar o ser MACHO e suas características predatórias.


Terei muito prazer em contar algumas historinhas aqui. Espero que gostem. Elas têm sempre final feliz. Pelo menos, pra alguém.

Domingo, 13 de Janeiro de 2008

Oba! Oba! Meus pais viajaram


Depois que minha mãe pegou o hábito de viajar para o interior com a finalidade de construir uma capela, nós aqui de casa temos ficado mais sozinhos, como uma loja sem gerente. Nossas aventuras variam de assistir televisão até tarde, ouvir o som nas alturas a conversar até de manhã nos babe-papos da vida (minha irmã mais velha). Sem dúvida é muito divertido poder comer pizza todo dia e coca-cola com açúcar sem ninguém para reprimir.
Se essa capela tivesse sido construída há alguns anos atrás, eu seria a responsável por mais uma cena de filme teen norte americano. Faria aquela festa com as garotas da torcida, os nerdes e sem dúvida os jogadores altos, idiotas e inconseqüentes de futebol americano. Mas os tempos são outros, sem falar que o nosso cenário ( NORDESTE DO BRASIL) é bastante divergente daquele tão repetido nos filmes, além do mais, eu não tenho costume de fazer festas na minha casa, odeio a idéia de ter que limpar a sujeira dos outros depois.
Enfim, a casa está sem gerente há 4 dias e para piorar a historia adquiri quase que concomitantemente, em plena reta final da dissertação de mestrado, duas inflamações uma nos olhos e outra no ciso metido. Não posso comer nada duro, nada mesmo, dói muito, nem olhar demais, o que eu posso fazer? Estudar, mas não abusar. Meus olhos incham com uma facilidade incrível, ao contrário de outros órgãos que incham devido a estímulos visuais e outros, meus olhos perderam sua lubrificação natural e eu tenho que me embriagar de colírios dos mais variados tipos, além de compressas de soro fisiológico que me fazem parecer uma rainha descansando, mas mal sabem aqueles que me vêem que eu não estou curtindo estar ali deitada.
Para o ciso? Para este intruso achei um paliativo bastante comum na minha geladeira:
ALCOOL, sim, faz quase dois dias que bebo para esquecer a dor de dente. Me desculpem aqueles que bebem para esquecer um amor traiçoeiro, que bebem para suprir seus vícios, que bebem para se animarem e superarem a timidez, eu bebo para esquecer minha dor de dente. E eu não bebo pouco, porque ébria ainda dói e não posso abrir minha boca inteira, não dá para ter contatos mais íntimos em um estado aproximado ou igual ao sóbrio. E isso tudo acontecendo comigo, sem minha mãe ou meu pai para me consolar, ou me levar ao dentista, já que eu não tenho dinheiro para pagar. Gastei tudo em uma cadeira verde-limão para computador. Como diz minha amiga Como EU, pior! Eu ainda não entrei na fase rubra do mês, ando chorando todos os colírios e meu dente dói ainda mais.
E agora quem poderá me salvar?
Meu irmão não apareceu colorado, nem corado, mas apareceu. Ele anda muito pálido ultimamente, acho que a esposa não sabe fazer feijão ou anda sugando todas as suas energias, o melhor de tudo é que ele tirou aquele bigode ridículo e me levou daqui de casa, com o fim de me ajudar a passar por esse processo doloroso, mas mal sabia que ao rir meu dente doía, e isso eu fiz a noite inteira. Além dele e sua mulher, também foram um tio meu, sua “esposa”, meu primo e sua namorada. Eu fui o numero ímpar daquela mesa, pior que sentar na ponta e todo mundo zoar com a tua cara na hora de pagar, é ser o numero ímpar quando todos os outros são casais. Pior que ser o numero ímpar é ser lembrado disso por uma pessoa que uma usa franja capaz de esconder até o pescoço, uma pessoa que usa um cabelo assim, não precisa de disfarce. Pior que isso, é ver meu tio com uma camisa rosa cheia de listras horizontais capazes de prender sua barriga tal como uma embalagem de bom bom, e não poder dizer nada, simplesmente aceitá-lo como ele é, assim como me aceitaram solteira com dor de dente e olhos inchados na ponta de uma mesa cheia de casais, em um bar, cujo cantor não passava do Se de Djavan.

Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Com a devida permissão:" Álbum de família"


A cena é simples:
Uma foto, enquadradas: a avó, uma amiga da família e a tia. Tudo pronto para se dizer o x, a luz da câmera já havia ascendido, mas surge no foco uma quarta personagem, que não chega de uma maneira qualquer, mas com boa parte de suas pernas de fora e os cabelos estupidamente lisos, se houvesse algum sujeito presente poderia se suspeitar que seu foco não seria mais a lente da câmera, mas o par de pernas da moça que suspendeu por alguns longos segundos a foto. Contudo, enquanto as outras se posicionavam em seu melhor ângulo, exibindo o sorriso glorioso pós-revelado, a avó era levada pelo par de pernas, que ora se flexionava para alcançar as faces descansadas e ora se esticavam para manter a compostura desejada. Sua neta não tinha mais 15 anos, nem era mais moça.
Naquele movimento de beijar faces, seu pequeno vestido alcançava posições privilegiadas dos trópicos mais altos, e ali se revelava a obscuridade que tomava a imaginação de muitos marmanjos presentes, para ela, a festa apenas havia começado, mas para eles, aquela era a hora da sobremesa. Depois de perceber estar no centro da foto, ela me pediu desculpas e saiu de cena. Preparei a máquina novamente, mas a foto não era mais a mesma, a avó voltava seu olhar para a neta, que fora de cena continuava a beijar os presentes. Na hora do X, apenas a tia e a amiga o pronunciaram com o sorriso frouxo, a avó tinha um olhar atravessado, o que levou o pronunciamento de seu nome em vez da letra emblemática.
Eu disse: Vamos tirar outra?
Avó: Não fico bem em fotos.
Depois de beijar todas as faces, a neta seguiu até uma mesa do canto, onde encontrava-se seu marido com um copo de whisky. A avó, por sua vez, procurou a neta e sentou-se ao lado dela, mais especificamente entre ela e seu marido. De longe parecia uma cena normal, comum, mas se olhada com apreciação, poderia-se ver aquele mesmo olhar atravessado que havia deixado na foto. Era clara a sua admiração pela menina, os elogios constituíam o discurso proeminente que saia de sua boca e olhar envelhecidos, a menina ouvia e com graça os dispensava como se travestisse uma bela modéstia original, o marido não percebeu nada, seus olhos eram os ouvidos para a péssima qualidade de música que ali circulava.
A menina não parecia se intimidar com os elogios, olhares, ou com a voz levemente masculinizada que torneava a figura daquela mulher de setenta e oito anos, que sentada ao seu lado, se sentia a pessoa mais feliz daquele lugar.